terça-feira, julho 5, 2022
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Teste genético com DNA pode prever melhor ou pior remédio para tratamentos

Iniciar tratamentos com remédios de uso prolongado pode ser um desafio, seja no ajuste da dose, na adaptação aos efeitos colaterais ou até mesmo na eficácia do medicamento para determinada pessoa.

Mas já existem exames capazes de identificar, com base no DNA do paciente, quais remédios vão funcionar melhor e estimar se a dose precisa ser maior, igual ou menor do que a indicada na bula, com base no perfil genético do metabolismo do indivíduo.

“Os testes farmacogenéticos, juntamente com outras informações sobre os pacientes e sua doença ou condição, podem desempenhar um papel importante na terapia medicamentosa. Quando um profissional de saúde está pensando em prescrever um medicamento, o conhecimento do genótipo de um paciente pode ser usado para ajudar a determinar uma estratégia terapêutica, determinar uma dosagem apropriada ou avaliar a probabilidade de benefício ou toxicidade” – FDA – AGÊNCIA REGULADORA DE MEDICAMENTOS DOS EUA

O exame estabelece uma interação gene-droga a partir de variantes de genes de enzimas metabolizadoras de drogas, variantes de genes de transportadores de drogas e variantes de genes que foram relacionadas a uma predisposição para certos eventos adversos. A partir daí, cria-se para cada paciente uma escala de risco e até mesmo sugestões de doses.

As áreas que mais se utilizam destes exames são a oncologia e a psiquiatria, mas também é possível descobrir como o seu organismo vai responder a mais de uma centena de medicamentos, inclusive aqueles usados esporadicamente, por meio de uma simples coleta de células da bochecha – feita em casa pelo próprio paciente.

O psiquiatra Guido Boabaid May, fundador da GnTech, laboratório catarinense que oferece este tipo de exame desde 2014, conta que cerca de 70% dos pacientes em tratamento psiquiátrico com medicamentos “estão com respostas parciais ou têm algum efeito colateral”, as quais, segundo ele, “são grandes causas de abandono” do uso dos remédios.

Na prática, o indivíduo recebe um kit de autoteste em casa, coleta células da bochecha utilizando um swab (cotonete estéril), coloca em um envelope e devolve para o laboratório.

A amostra será sequenciada a fim de cruzar os genes associados aos medicamentos mais comuns para determinada doença e quais alterações eventualmente possa haver que vão interferir na resposta a um ou outro fármaco.

“Tem pessoas com um grande número de genes farmacogenéticos com mutações que vão impactar nos medicamentos, mas também há indivíduos que têm muito pouca mutação nestes gentes e vão apresentar resposta padrão para um grande número de medicamentos”, explica o psiquiatra.

Na GnTech, é possível fazer um painel farmacogenético que inclui 175 fármacos disponíveis para tratamento psiquiátrico, oncológico, cardiovascular e para doenças infecciosas. Os exames também podem ser feitos separadamente.

Ricardo di Lazzaro, sócio-fundador do laboratório Genera, que também realiza este tipo de exame, explica que as bases de dados são revisadas e atualizadas periodicamente para aumentar a precisão dos testes.

“São vários artigos na literatura, estudos, que vão correlacionando esses marcadores genéticos com o metabolismo de um determinado medicamento. A gente busca na literatura, para fazer esse relatório. São mais de mil artigos científicos.”

O teste fármacogenético da Genera inclui, por exemplo, a chance de adesão maior ou menor à reposição de nicotina em pacientes que desejam parar de fumar.

Um indivíduo cujo exame traga o genótipo AA terá maior possibilidade de cessação do tabagismo, ao contrário dos que possuem genótipos AG e GG.

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